sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Memória

Alma é o nome do lugar onde se encontram esses pedaços perdidos de nós mesmos. São partes do nosso corpo como as pernas, os braços, o coração. Circulam em nosso sangue, estão misturadas com os nossos músculos. Quando elas aparecem o corpo se comove, ri, chora...
Para que servem elas? Para nada. Não são ferramentas. Não podem ser usadas. São inúteis. Elas aparecem por causa da saudade. A alma é movida à saudade. A alma não tem o menor interesse no futuro. A saudade é uma coisa que fica andando pelo tempo passado à procura dos pedaços de nós mesmos que se perderam.

Rubem Alves

Read more...

Pele

Read more...

domingo, 15 de novembro de 2009

Poesia



Se matar-me em ti
um pouco de ti também morrerás
e esse pouco de ti
carregarei comigo
e, estarás viva
quando cada lágrima caída
fizer reviver
o que sequer pudemos
ter sido um dia
não será solução
chamar-te de amiga
se matar-me em ti
morremos juntos
tudo o que não fomos


E.S

Read more...

Tristeza

Alguns dias são extremamente ruins. Neles nos sentimos profundamente tristes. A profundidade é tanta, que percebemos o tamanho da nossa insignificância. Só dá vontade de simplesmente desaparecer. Virar pó!

Que a tristeza fosse bela
Tudo bem, mas que não me machucasse tanto
Que a tristeza fosse bela
Mas que não fosse assim tão bela e triste
Que o crepúsculo fosse o dia desfalecendo
Tudo bem, mas, que não fosse em meus braços
Que o sol morresse por sobre as montanhas
Mas que não trouxesse aos meus olhos
Essa chuva inesperada e tão amada
Ah, que a tristeza não fosse, ainda assim
Seria eu parte dela essa espera do sol se por
Ah, que a tristeza fosse assim tão bela
Mas, que não cobrasse dos meus olhos tantas lágrimas
Que a tristeza não fosse as lágrimas
Orvalhas nas folhas frias pelas manhãs de inverno
Tristeza de ouvir o barulho silenciado nos olhos aflitos
Que a tristeza fosse nela mesma
A vontade pouco convicta de se morrer os sonhos
Ah, que essa tristeza minha
Não encontrasse respaldo na paisagem
Que mancha de vermelho as tardes
Que carrego em mim...
E as noites que se deitam no colo de minhas saudades...
Ah, que o sol rasgasse o crepúsculo
Fazendo sangrar o horizonte...
Mas que não fosse a fonte
Em que banho os meus olhos
E o meu corpo descansa a sua imagem
Que essa tristeza não me acompanhasse
Derramo meu olhar triste sob a tempestade.

E.S

Read more...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O velho e bom rádio, mais uma vez brilhou na escuridão


Dentre os milhares de textos sobre o temido apagão, este foi escrito de uma ótica especial, apaixonada. Essas linhas foram escritas pelo jornalista e radialista José Nello Marques, atualmente comunicador da Rádio Record.
Uma grande parte do Brasil ficou novamente no escuro na noite de terça e madrugada desta quarta feira. Quando caiu a energia elétrica, a primeira idéia era de um transformador queimado na rua. Uma olhada geral e a coisa passou a ser no bairro, quem sabe uma sub-estação. Mas passando os minutos na escuridão, veio a certeza: era um apagão geral, ou, para ser elegante, um “blackout”.
Os vizinhos saíram na porta das casas se indagando o que teria acontecido. Nos apartamentos, televisão analógica ou digital desligada, internet banda larga ou curta pifada e celulares 3G, 4D ou 5S sem linha no mundo moderno e tecnológico. O que teria acontecido?, perguntavam todos.
Como é que a gente vai saber? Foi aí que alguém se lembrou dele:
Simples: pega aquele aparelhinho que foi inventado há quase 100 anos, que não precisa de tomada, apenas de uma ou duas pilhas e pronto, vamos novamente nos conectar ao planeta.
Simples: o velho e bom radinho de pilhas amainou a ansiedade de milhares de pessoas que estavam no escuro de luz e informação. E o velho e bom rádio novamente cumpriu o seu papel. Quem não achou, correu para o carro na garagem e ligou o dito cujo.
Informações sobre bairros e cidades às escuras, autoridades pedindo cuidado no transito sem semáforos e nos locais mais isolados por causa da bandidagem, repórteres buscando informações sobre as causas do apagão e quando a energia seria restabelecida, CET dizendo que tinha mandado de volta às ruas seu contingente e tantas outras notícias e palavras que revelavam informações e a certeza de que alguém estava do outro lado.
O velho e bom rádio cumpriu novamente o seu papel de informar, prestar serviço e acalmar a população. Mais uma demonstração que prova a eficiência do veículo de comunicação mais barato e ágil em todo o globo terrestre de cabos, laser, fibras óticas e todas as engenhocas criadas recentemente.
Perdoando o despreparo de jovens que nunca tinha participado de uma cobertura de fôlego como essa, tirando as perguntas que mais pareciam teses, tirando as linhas telefônicas que caíam e alguns erros gramaticais, o rádio foi perfeito.
As cores digitais são muito bonitas, espetaculares. Mas não se esqueça do seu companheiro de todas as horas, de todos os lugares. O velho e bom rádio, que você enxerga até no escuro.

José Nello Marques

Read more...

Apagão

Onde você estava na hora do apagão? Ainda bem que eu estava em casa, imagina se estivesse na faculdade, na hora da saída, sem metro, só Deus sabe o que eu teria feito. Sem televisão, apelamos para o bom e velho rádio. Metade das emissoras FM estava fora do ar, mas a CBN me manteve informada durantes aquelas horas de escuridão total. Engraçado que o rádio produz imagens em nossa mente.
No começo, a locutora (que agora não me lembro o nome), desavisada, deu a notícia como uma coisa casual. "O ouvinte Fulano diz que a região de Perdizes está sem energia elétrica neste momento". De repente outro ouvinte, mais um e mais um... Minutos depois era possível ouvir a produtora falando ao telefone de fundo. Os repórteres entraram ao vivo, cada um da janela de seu apartamento dizendo como viam a situação. Além de dizerem que entraram em contato com parentes do Rio, outro de Minas, Espírito Santo... O apagão tinha chegado ao Paraguai.
Eu em casa, no escuro, ouvindo todas aquelas informações senti-me como em uma das histórias de Saramago. Metro parado, os hospitais funcionando por geradores, sabe-se lá até quando, as linhas do metro e da CPTM paradas, estações fechadas, arrastão nas ruas do centro, etc. O caos estava instalado, parecia que aquela madrugada não teria fim e realmente ela foi bem longa para muitas pessoas que estavam longe de casa naquela hora.

Mariane Rocigno

Read more...

domingo, 8 de novembro de 2009

Luxúria


Dobro os joelhos
Quando você me pega, me amassa, me quebra,
Me usa demais
Perco as rédeas
Quando você demora, devora, implora sempre por mais
Eu sou navalha cortando na carne
Eu sou a boca que a língua invade
Sou o desejo maldito e bendito, profano e covarde
Disfaça assim de mim
Que eu gosto e desgosto, me dobro,
Nem lhe cobro rapaz
Ordene e não peça
Muito me interessa a sua potência, seu calibre e seu gás
Sou o encaixe, o lacre violado
E tantas pernas por todos os lados
Eu sou o preço cobrado e bem pago
Eu sou um pecado capital
Eu quero é derrapar nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Quero beber o que dele escorre pela pele
E nunca mais esfriar minha febre
Isabella Taviani

Read more...

Opostos

Os opostos se distraem. Os dispostos se atraem!
Fernando Anitelli

Read more...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Livre


“O homem está condenado a ser livre”. Para Sartre, nossas escolhas são direcionadas por aquilo que nos parece ser o bem. Segundo Artur Polônio, “se a vida não tem, à partida, um sentido determinado […], não podemos evitar criar o sentido de nossa própria vida. A vida nos obriga a escolher entre vários possíveis [mas] nada nos obriga a escolher uma coisa ou outra”. De nada adianta recorrer a explicações religiosas ou espirituais. Destino? Está escrito? Quem disse? Dentro dessa perspectiva, recorrer a uma suposta ordem divina representa apenas uma incapacidade de arcar com as próprias responsabilidades. Cada um é responsável pelo rumo que a vida segue. Livre arbítrio, façamos uso dele. Liberdade!
Mariane Rocigno

Read more...

Escolhas


As pessoas, coisas e situações que formam sua vida, são todas resultados de suas escolhas...
Tudo o que você tem, tudo o que você faz, tudo aquilo em que você mesmo se transforma,
é o resultado de suas escolhas.
Você tem o poder de decidir a direção de sua vida.
Como você vai usar esse poder?
Qual a sua escolha nesse exato instante?
Robert Marshal

Read more...

Jean-Jacques Rousseau

A espécie de felicidade de que preciso não é tanto a de fazer o que eu quero, mas a de não fazer o que eu não quero.

Aristóteles

A felicidade é para quem se basta a si próprio.

  ©Template by Dicas Blogger.